
Nos calendários, aparece o dia 1º de janeiro como Confraternização
Universal. Na mídia também sai todos os dias que a Copa do Mundo é uma
competição de futebol. Esqueçam as duas informações. A confraternização
dos povos tem outra data e ocorre a cada quatro anos em países
escolhidos pela Fifa. E essa celebração é muito mais do que uma
competição esportiva.
A Copa da África tem dado uma demonstração
única de que um evento pode ultrapassar seus limites e criar uma atmos-
fera que vai além de qualquer propósito esportivo. Meus dias de Copa
foram todos brindados com exemplos de simpatia entre habitantes de
dezenas de países. Em nenhum momento, eu vi qualquer gesto de
antagonismo entre brancos e negros, capitalistas e comunistas, orientais
e ocidentais, esquecidos ou abençoados por Deus.
Cada nova
partida é precedida pelo encontro de milhares de pessoas que afluem para
os estádios, onde dançam, bebem, torcem e se retorcem. Muitos nem
lembram que haverá jogo em seguida, afinal, a maioria das pessoas nos
estádios prescinde da presença de suas seleções para comprarem ingressos
e participarem dos jogos.
As torcidas de alguns países, como a
da Holanda, por exemplo, parecem que vão participar de qualquer outra
festa, menos de um jogo de futebol, tal a criatividade e intensidade de
suas fantasias. Mesmo os japoneses, tão sisudos, levam charangas dignas
das torcidas organizadas de Grêmio e Inter.
Esse espírito que
domina os estádios onde se encontram até 90 mil pessoas (como no Soccer
City) poderia ser a semente de um novo mundo. Talvez essa semente venha
justamente na forma de uma bola de futebol e seu código de conduta seja
escrito pela Fifa, que entende que o maior esporte da Terra ultrapassou
todas as barreiras e se tornou num catalisador que tem o poder de
encantar multidões. Nenhuma outra campanha de relações públicas poderia
fazer pela África do Sul o que a Copa fez por ela. A competição colocou o
país na mídia de forma positiva e intensa pela primeira vez em sua
história e está mostrando ao mundo que os sul-africanos podem, sim,
organizar o maior evento do planeta.
A Copa do Mundo não é mais
uma competição esportiva. Ela é o evento símbolo de uma grande festa que
reúne milhares e milhares de homens e mulheres dos mais variados países
do mundo e põe por terra todas as fronteiras, fazendo de todos nós
cidadãos do planeta futebol.
