
| Foto: Jeferson Couto/São José
Pela primeira vez em 107 anos, o maior campeonato masculino do futebol gaúcho teve jogo apitado por mulher. A árbitra Andressa Hartmann colocou seu nome na história da Série A profissional do Rio Grande do Sul ao comandar a partida entre São José e Monsoon, na noite desta quinta-feira (22), no Estádio Francisco Novelletto, em Porto Alegre, pela 4ª rodada do Gauchão Superbet 2026. Além disso, o trio feminino de campo também protagonizou feito inédito na arbitragem gaúcha ao estrear na Primeira Divisão do Estado.
A vitória do Monsoon por 2 a 1 representou uma importante recuperação do clube na tabela de classificação, mas a história do jogo ficará marcada para sempre pela atuação pioneira de três mulheres: Andressa Hartmann e as árbitras assistentes Luciane Rodrigues dos Santos e Jeissyevan Freitag Gonçalves. A partida também teve o quarto árbitro Marcelo Oswald Bitelbron.
- É um motivo de orgulho para a arbitragem gaúcha. Andressa, Luciane e Jeissy fizeram história por merecimento. Elas vêm trabalhando muito para conquistar esse feito e isso mostra que tem espaço para todos na arbitragem, seja homem ou mulher. Tem que querer, ter atitude, postura, dedicação e desempenhar dentro de campo, esse é o grande detalhe. Para quem tem qualidade e competência, as oportunidades aparecem. Elas são merecedoras do que estão vivendo - destacou o presidente da Comissão Estadual de Árbitros do Rio Grande do Sul - CEAF/RS, Leandro Vuaden.
Foto: William Anacleto/FGF
Natural de São Paulo das Missões, município do Noroeste do Estado, Andressa tem 32 anos. Formada no Curso de Arbitragem de 2018, apita em jogos da Federação Gaúcha de Futebol - FGF desde 2019. Com carreira em ascensão, ingressou no quadro de árbitros (as) da Confederação Brasileira de Futebol - CBF em 2021 e desde então atua em partidas femininas e masculinas profissionais, além de campeonatos de base.
- A estreia no Gauchão Série A representou pra mim uma conquista pessoal, mas também coletiva. Não posso deixar de enaltecer o trabalho das minhas antecessoras, que abriram o caminho para a arbitragem feminina, e também das colegas atuais. Foi uma meta batida na carreira e uma responsabilidade muito grande por ser uma das principais competições estaduais do país. Estou muito feliz pelas oportunidades que a CEAF vem nos proporcionando - agradeceu Andressa Hartmann.
A árbitra vem conquistando feitos há pelo menos cinco anos. Em 2021, estreou no Gauchão Série A2. Em 2024, liderou um quarteto feminino inédito na Copa FGF e apitou o Gre-Nal de ida da final do Gauchão Feminino. Na mesma temporada, atuou pela primeira vez em jogo da Série D do Brasileirão masculino.
Foto: Caco Marin/FGF
No ano passado, apitou o Gre-Nal feminino da primeira fase do Estadual e a decisão do Gauchão Série B masculino entre Guarani-VA e Apafut, outra vez com trio de mulheres em campo. Em 2025 também atuou como quarta árbitra no amistoso internacional sub-20 entre Brasil e México, em Goiânia.
Ex-atleta de futsal e futebol, chegou a ser convocada para a seleção brasileira feminina sub-17 e treinou na Granja Comary em 2009. Jogou na base do Juventus de Santa Rosa e no profissional da Malwee, time de futsal de Jaraguá, de Santa Catarina. Formada em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, atuou também como árbitra nas quadras antes de apitar nos campos. O maior fã é o pai.
- Desde pequena, ela gosta muito de futebol. Jogou até na seleção brasileira de base e depois virou árbitra de futsal e futebol. Estou muito feliz e orgulhoso porque minha filha realizou um sonho ao apitar um jogo da Série A do Gauchão. A gente acompanha ela nos jogos e hoje viemos de surpresa no estádio do São José - confessou Eugênio Hartmann.
Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Para as duas árbitras assistentes que atuaram com Andressa em São José x Monsoon, o Gauchão Superbet 2026 também vai ficar marcado na história da arbitragem feminina para sempre.
- Que seja a primeira equipe feminina de arbitragem de campo na Série A do Gauchão de muitas que virão pela frente. Agradeço à CEAF pela oportunidade e que venham outros jogos - disse Luciane Rodrigues.
- Também agradeço à CEAF por apostar na arbitragem feminina. É uma honra fazer parte do trio pioneiro na história do Gauchão. Isso tudo que está acontecendo é muito importante para as nossas carreiras, resultado de um bom trabalho que vem sendo feito há anos - completou Jeissy Freitag.
Para quem viu de perto a história sendo escrita, o sentimento é de orgulho e admiração.
- Foi um fato histórico para o nosso Estado e fiquei muito feliz de acompanhar o trio feminino nesse jogo. O mérito é todo delas - afirmou o quarto árbitro Marcelo Bitelbron.
E como o sonho não pode parar, o próximo já está desenhado na mente.
- Quero me destacar no cenário nacional e depois conquistar o tão sonhado escudo da FIFA. O segredo é acreditar nos sonhos e nunca desistir - projetou a primeira árbitra da história do Gauchão.



